
As vezes é preciso parar um pouco, desacelerar o passo, e simplismente enxergar tudo a nossa volta, nossos atos...
Outrora eu ouvira, 'Poema', de Cazuza, é de fato uma canção muito bela, que me fez parar e refletir sobre minha breve existência. O que eu estou fazendo de bom? Qual marca eu deixarei quando me for?
São perguntas um tanto complexas. As respostas são tão incertas, como um horizonte distante, recortado por imensas montanhas, que atrapalham a visão já embaçada. Costumo me sentar em minha janela todas as noites, e pergunto ao escuro céu, "O que me reserva o amanhã?" Em resposta, eu recebo apenas o silêncio frio, cortado as vezes, por lufadas de vento frio.
O vento é tão atraente, me convida a dançar. Em Momentos assim, desejo cantar, fluir como o orinoco, ser mais alto que uma montanha, voar livre como um passáro pelo horizonte errante que me aguarda, porém, sem temer mal algum, afinal, tenho tudo de que preciso.
Então, me pergunto, "O que será que me prende aqui?" gostaria que alguém me respondesse isso um dia. Observo os dias passarem, as águas correram... Mas, eu sempre estou aqui, na minha janela, sentindo um aperto no peito, que nenhum calmante iria aliviar.
Confesso que de todas as estações do ano, a minha preferida sempre foi o inverno. Certamente é a que me descreve melhor, eu acho. Ele é frio, por isso faz as pessoas procurarem um corpo quente onde possasm se aquecer. Têm uma beleza secreta, a qual poucos conseguem enxergar. Porém, a mais importante de todas as características, é que ele sempre procura aos tropeços, alguém que o envolva num abraço quente, alguém que o compreenda, que o sinta. Na escuridão do mundo, ele procura quem enxergue a beleza onde os outros não veem. Procura quem nele queira um carinho, quem o ame de todo o coração... Quem aqueça sua alma tão fria.