sexta-feira, 2 de julho de 2010

Bela Magia


Os dias vão passando...
Mas, eu continuo no silêncio do meu quarto
Recosto-me nas paredes brancas
Sem pensar começo a contar à elas
Coisas que não costumo falar

Um melodia suave, porém misteriosa
Envolve todo o quarto
Sem pensar, deixo a melodia minh'alma envolver
Estaria eu ficando louco?
Isso até parece Magia
Mas, de fato, é Magia!

Salto a minha janela
E adentro na floresta crepuscular
Meus pés acompanham o compasso da melodia
Luzes parecem dançar em espiral a minha volta
Ergo meus olhos ao céu, a lua sorri para mim
E as estrelas dão piscadelas de aprovação

Tudo isso é um sonho, sim, um sonho lindo!
Oh, Magia que me trouxe até aqui!
Não me devolva ao mundo de dor
De onde venho
Deixe-me aqui, quero obedecer teu compasso
Quero as fadas luzindo em espiral a minha volta
Quero eternamente viver essa bela e encantadora
Magia

domingo, 20 de junho de 2010

Catedral


Na penumbra da noite
A dor silencia meu desespero
O crepúsculo me convida a chorar
Com as flores à beira mar

O silêncio do meu quarto me sufoca
O escuro da solidão me envolve sem piedade
Lágrimas inundam meu chão
Garras dilaceram meu coração

Meus passos leves e sutis
Me conduzem à Catedral
Muito bela, mas também gótica
Me convida a ajoelhar-me e a orar
Oh, Deus! Você irá me ouvir?

Enquanto procuro palavras
De um todo sinceras do que restou do meu coração
Meus olhos vislumbram...
Anjos vindo em minha direção
Minha alma chora; seria essa mais uma ilusão?

Lá fora o céu chora
As folhas dançam em espiral
Não há estrelas, não há lua
Há somente uma triste noite, partilhando minha dor

Não é ilusão
De fato, há anjos na Catedral
Cantando e dançando à minha volta
Por que tudo ficou tão belo?
Perdi todos os sentidos, exceto o tato
pois Sinto asas macias me conduzido
Ao eterno descanso

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Dor

No silêncio do seu quarto, você chora, sem saber o por quê. O relógio corre rápido, você entra em desespero; seu tempo está acabando, amigo.

Como uma brisa suave de primavera ela vem, vem trazendo o rigoroso inverno que clama por você, por suas lágrimas. As vezes, ela vem devido uma perda, por você ter perdido alguém que muito você amava, ou simplismente ela veio do nada, sorrateira como um leão que no silêncio da noite devora a inocente presa. A dor não escolhe hora, turno, estação... Por isso não adianta olhar para o relógio, porque ela virá, num momento em que você estiver aquecido em seus lençois, numa noite fria, ela virá.

No vazio de sua alma, você caminha, caminha sem rumo, sem um horizonte a sua frente. Pequenas sombras te seguem na sua jornada solitária, e você se pergunta se o Sol se levantará pelo amanhecer. "Mas será que haverá um amanhecer?" Você sempre se faz essa pergunta, sem obter respostas.

Antes dela te envolver em seus braços frios, você costumava sorrir, mas agora... A chuva cai, o céu chora sobre você, tudo está tão frio, e você já não sabe mais se são lágrimas ou chuva, que inundam teu rosto macilento.

Caminhando sobre a neve, alguém se aproxima de ti. Seus passos são leves, quase imperceptíveis. Se Você ao menos pudesse erguer sua face para vê-lo(a), mas você não consegue, suas forças foram embora. Braços quentes te envolvem num aperto suave, seus olhos estão fechados. Uma vez sussura em seu ouvido, "Meu amor não chore, eu estou aqui." Você nada consegui dizer, a voz é calma, como o som de muitas águas tranquilas, um sopro de vida na escuridão. Você não vê, mas você está flutuando. O ser iluminado abre as asas dissipando a neve, e suavemente levanta voo, voa para um horizonte que você desconheçe, à um horizonte de luz. "A dor se fora?", você não sabe, sabe apenas que nos braços do iluminado ser, você descansa.

domingo, 13 de junho de 2010

Poema de Inverno


As vezes é preciso parar um pouco, desacelerar o passo, e simplismente enxergar tudo a nossa volta, nossos atos...


Outrora eu ouvira, 'Poema', de Cazuza, é de fato uma canção muito bela, que me fez parar e refletir sobre minha breve existência. O que eu estou fazendo de bom? Qual marca eu deixarei quando me for?


São perguntas um tanto complexas. As respostas são tão incertas, como um horizonte distante, recortado por imensas montanhas, que atrapalham a visão já embaçada. Costumo me sentar em minha janela todas as noites, e pergunto ao escuro céu, "O que me reserva o amanhã?" Em resposta, eu recebo apenas o silêncio frio, cortado as vezes, por lufadas de vento frio.


O vento é tão atraente, me convida a dançar. Em Momentos assim, desejo cantar, fluir como o orinoco, ser mais alto que uma montanha, voar livre como um passáro pelo horizonte errante que me aguarda, porém, sem temer mal algum, afinal, tenho tudo de que preciso.


Então, me pergunto, "O que será que me prende aqui?" gostaria que alguém me respondesse isso um dia. Observo os dias passarem, as águas correram... Mas, eu sempre estou aqui, na minha janela, sentindo um aperto no peito, que nenhum calmante iria aliviar.


Confesso que de todas as estações do ano, a minha preferida sempre foi o inverno. Certamente é a que me descreve melhor, eu acho. Ele é frio, por isso faz as pessoas procurarem um corpo quente onde possasm se aquecer. Têm uma beleza secreta, a qual poucos conseguem enxergar. Porém, a mais importante de todas as características, é que ele sempre procura aos tropeços, alguém que o envolva num abraço quente, alguém que o compreenda, que o sinta. Na escuridão do mundo, ele procura quem enxergue a beleza onde os outros não veem. Procura quem nele queira um carinho, quem o ame de todo o coração... Quem aqueça sua alma tão fria.

sábado, 29 de maio de 2010

Insônia

Ele revirava-se sob o lençol, a noite não estava sendo fácil. Seu dia fora um pesadelo. Tudo o que teve de ver ouvir, o horrorizaram. E por mais que tentasse incansavelmente, não conseguia dormir... Sempre que tentava fechar os olhos e deixar-se envolver por um sono pesado, os pesadelos estavam a espreita prontos para o ataque. Mas ele sabia que todas as imagens que passavam na tela de sua psíque não eram fantasia, ou frenesi, muito pelo contrário, eram surpreendentemente reais.

Enquanto o filme de terror prosseguia, as lágrimas inudavam sua face. Recordava de outrora, passar por uma avenida e ver uma Srª muito velha, vestida com trapos sujos, sentada no chão, a mão estendida pedindo esmolas; seu semblante era indecifrável. Devido o coração generoso que possuía, deu-lhe os R$ 17,50 que portava na carteira. Queria poder dar mais, mas, no momento era tudo que tinha. Ela agradeceu-lhe chorosa. Tal cena o despedaçou por dentro; sabia ele, que aquele pouco que ela tinha, não a tiraria da miséria na qual se encontrava. Mas, ficara feliz com o pouco que recebera do estranho generoso.

Cada passo que dava, desfalecia-se por dentro, por não poder fazer mais nada por ela. E caminhando lentamente, cabisbaixo, chorava, e se entristecia por dentro, devido a sociedade na qual vivia, e do sistema que ajudava a compor.

No seu íntimo perguntava: " O que houve com o coração humano no decorrer dos séculos? Onde fora parar a solidariedade, a compaixão? O amor em ajudar o próximo, em fazer uma fazer criança sorrir sem esperar nada em troca, apenas seu radiante sorriso inocente?" Sabia ele, que tudo isso se perdera; como folha seca levada pelo vento, que não sabe aonde vai, os sentimentos perderam-se no infinito do espaço e do tempo.

terça-feira, 25 de maio de 2010

O Lamento da Natureza


Certa vez, estava eu sentado numa rocha de grandes proporções. O cenário à minha volta era inamaginável. Um vasto lago de àgua cristalina estendia-se ao oeste, ladeado por imensas árvores e uma incrível variedade de plantas e flores. Borboletas de várias cores dançavam em espiral sobre o lago. As folhas das árvores farfalhavam ao vento, produzindo sons que eu nunca ouvira antes. Perguntei-me, se era eu digno de estar ali, de contemplar tamanha serenidade, pureza e beleza. Talvez não fosse, certamente eu nunca fui puro o sulficiente.


São em momentos desse gênero, que costumo me perguntar, por que o homem, um desflorador do mais puro dos lugares, não valoriza seu mais precioso tesouro? Tesouro este, que tão generosamente fora enviado dos altos céus pelo amado Criador.