sábado, 29 de maio de 2010

Insônia

Ele revirava-se sob o lençol, a noite não estava sendo fácil. Seu dia fora um pesadelo. Tudo o que teve de ver ouvir, o horrorizaram. E por mais que tentasse incansavelmente, não conseguia dormir... Sempre que tentava fechar os olhos e deixar-se envolver por um sono pesado, os pesadelos estavam a espreita prontos para o ataque. Mas ele sabia que todas as imagens que passavam na tela de sua psíque não eram fantasia, ou frenesi, muito pelo contrário, eram surpreendentemente reais.

Enquanto o filme de terror prosseguia, as lágrimas inudavam sua face. Recordava de outrora, passar por uma avenida e ver uma Srª muito velha, vestida com trapos sujos, sentada no chão, a mão estendida pedindo esmolas; seu semblante era indecifrável. Devido o coração generoso que possuía, deu-lhe os R$ 17,50 que portava na carteira. Queria poder dar mais, mas, no momento era tudo que tinha. Ela agradeceu-lhe chorosa. Tal cena o despedaçou por dentro; sabia ele, que aquele pouco que ela tinha, não a tiraria da miséria na qual se encontrava. Mas, ficara feliz com o pouco que recebera do estranho generoso.

Cada passo que dava, desfalecia-se por dentro, por não poder fazer mais nada por ela. E caminhando lentamente, cabisbaixo, chorava, e se entristecia por dentro, devido a sociedade na qual vivia, e do sistema que ajudava a compor.

No seu íntimo perguntava: " O que houve com o coração humano no decorrer dos séculos? Onde fora parar a solidariedade, a compaixão? O amor em ajudar o próximo, em fazer uma fazer criança sorrir sem esperar nada em troca, apenas seu radiante sorriso inocente?" Sabia ele, que tudo isso se perdera; como folha seca levada pelo vento, que não sabe aonde vai, os sentimentos perderam-se no infinito do espaço e do tempo.

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